sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

CULTURA DESPORTIVA


PASSADO E PRESENTE

Foi há mais de 55 anos que pela mão carinhosa do meu pai comecei a ser adepto e, depressa, sócio da Académica, hoje A.A.C-OAF.
Já vivi descidas de divisão, falhanços de subida e, até, eliminação por moeda ao ar mas, a final da Taça de Portugal de 1967, marcou-me para toda a vida.
Foi a minha maior tristeza desportiva, na mais longa -114 minutos - Taça de Portugal da história do nosso futebol.
Perdemos por 2-3 com o Setúbal.
O jogo foi correcto, leal, vivo e de resultado imprevisível.
Estivemos a ganhar 1-0 com golo de livre do Celestino e empatados 1-1 no final dos 90 minutos. No 1º prolongamento mais um golo para cada lado, o que obrigou a 2º prolongamento. Tudo acabou aos 114 minutos, faltavam, portanto, 6 para o fim do 2º prolongamento, com o golo do Jacinto João. Momentos antes o nosso “China” (Rocha) enviou a bola á barra da baliza adversária.
O jogo foi emocionante e desgastante para adeptos e jogadores. Dizia-se que até o árbitro pedia um golo para acabar com o jogo.
Recordo-me que andei ansioso para que este dia chegasse. Ia a Lisboa ver a minha Académica. Tinha muita esperança que mais uma “tacinha” viesse para Coimbra. A nossa equipa era muito boa, lutadora, humilde, disciplinada, solidária, determinada e ambiciosa.
Fui de comboio com o Pai, companhia que nunca dispensava e, também ele, adepto indefectível da Académica.
Até á hora do jogo a “vitória” foi nossa. Invadimos Lisboa e chegámos eufóricos e confiantes ao Jamor, num dia de sol e de muito calor.
Recordo-me como se fosse hoje.
Mas o que mais me ficou na memória, num misto de tristeza e orgulho, foi ver os nossos jogadores caírem no chão a chorar, quando o Jacinto João marcou o golo da vitória.
Podendo parecer estranho, sinto-me muito orgulhoso de ter visto os “Pardalitos do Choupal”no chão. Caíram, mas foram uns heróis.
De facto, foi a sua postura, atitude e comportamento dentro e fora do campo, que me fizeram “Krommu”. E porquê?
Porque nesse tempo os jogadores dum modo geral e os da Académica em particular, estavam nos clubes muitos anos, criavam afectividade com os adeptos e instituição que representavam e, consequentemente, sentiam a camisola negra que vestiam.
E hoje, que futebol temos?
Hoje, a cultura desportiva dos jogadores de futebol é, salvo raras excepções, muito diferente.
Actualmente, os jogadores assinam contratos em Junho, jogam em Agosto e em Setembro, já só falam que querem jogar na Liga Espanhola ou Inglesa, que ambicionam a “Champions League”, que não querem jogar para não descer de divisão, que estão inadaptados ao clube, que o treinador não compreende o seu futebol etc.…etc.….
Uns vão de férias e não voltam, outros chegam ao cúmulo de, com o maior desplante, festejar os golos junto da claque do clube que na semana anterior representavam, e os aplaudiam e acarinhavam!!!!!!....
Não estará, também, este comportamento a contribuir para a redução de espectadores nos estádios?
Apesar de tudo, o “KROMMU DA ACADÉMICA” não consegue resistir!!!!!!!!....

ACADÉMICA SEMPRE!!!!…ACADÉMICA SEMPRE !!!!!!!!!!

VIVA A MALTA !!!!!

POÇAS PEREIRA

11 comentários:

  1. F.R.A.
    Ora aqui está uma forma simples mas sentida, de dar a conhecer os verdadeiros e "negros" sentimentos futebolísticos. Para mim, não foi novidade mas, para aqueles que ainda tivessem dúvidas, não há melhor testemunho. É curioso verificar que este texto não só nos remete para a saudosa recordação, como também nos alerta para a falta de cultura desportiva e profissionalismo dos jogadores e, de todos os outros agentes envolvidos nesta chamada "indústria do futebol".
    Como vê, acabou de dar um contributo essencial para a manutenção deste espaço.
    Os KROMMUS agradecem!

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  2. CONCORDO EM PLENO COM A DESCRIÇÃO FEITA DE UMA ÉPOCA EM QUE AINDA EXISTIA SENTIMENTO CLUBISTICO POR PARTE DOS INTERVENIENTES NO JOGO.
    Mas, jogo é jogo e assim como um adepto na maioria dos casos fica radiante com a marcação do penalty que não existiu mas favoreceu a sua equipa á revelia da verdade desportiva e das leis que a sustentam ,assim o jogador fica hoje radiante quando pode através da alternancia de clube melhorar a sua vida mesmo que isso faça dele um APATRIDA clubistico !! E, sendo assim, quem deveremos comentar ?? O adepto que hipoteca a verdade desportiva em prol do clube ,ou o jogador que hipoteca o clube em prol de uma melhor vida ???? Afinal o futebol não é mais que um apendice de uma sociedade, em que cada vez mais impera o VALOR MATERIAL ,em detrimento do VALOR MORAL !! Mas o que irá sempre marcar a diferença entre clubes, é o mesmo factor que torna diferente os países e esse factor, chama-se HISTÓRIA !! Como tal e independentemente da realidade destes tempos, a ACADÉMICA É E SERÁ SEMPRE GRANDE e nós sempre gritaremos BRIOSA BRIOSA BRIOSA !! VIVA A ACADÉMICA !! ( e se o Cristiano Ronaldo quiser vir que venha mesmo que falte a todas as aulas !! )

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  3. Caro Olheiro:
    Concordo com muito daquilo que diz.
    Infelizmente é verdade que, por vezes, a ambição material conduz a deploráveis comportamentos morais.Vale tudo!!!
    Ao longo da vida, e isso não é criticável, as decisões que tomamos visam sempre a realização dos objectivos desejados no plano pessoal,familiar,social e profissional.
    Tendo presente a opinião correcta do NOSSO KROMMU Tião de que vivemos na chamada "industria do futebol",permita-me que acrescente uma pequena nota ao seu comentário, que aproveito para agradecer.
    É legitimo que os jogadores ambicionem e procurem melhorar as suas condições de vida pessoal e profissional.
    O que critico e NÃO ACEITO é os jogadores e/ou empresários entenderem que tem direito a "rasgar os contratos", muitas vezes celebrados há 2/3 meses, sem o mínimo de preocupação em salvaguardar os direitos e intereses da instituição contratante.
    A titulo de exemplo recordo o comportamento do Dr Jorge Humberto,aquando da sua transferencia para o futebol italiano.
    Voluntariamente, deu á Académica, 1/3 do valor da transferencia.
    SERÁ POSSÍVEL VER SEMELHANTE ATITUDE NOS DIAS DE HOJE?
    Viva a Malta!!!!

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  4. Começa a aparecer neste blog pessoal com história e artigos interessantes.
    Parabéns aos Krommus que gostava de conhecer.
    Temos em comum o AMOR Á BRIOSA
    Felicidades

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  5. Amigalhaços
    Concordo em absoluto com todos os vossos pontos de vista. No entanto não nos podemos esquecer de que no futebol, existem os que o servem e os que se servem dele. Infelizmente estamos muito bem servidos dos que optam pela segunda opçâo.Está tudo dito.

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  6. O problema é que "as peles" ( graveto) estão muito esticadas e tudo serve para conseguir arranjar uns "cobres".
    De facto concordo que a moral está também com "as peles" pelas ruas da amargura.

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  7. Aqui está um tema que engrandece quem o escreveu e quem o comenta.
    Quando um adepto de qualquer clube, vê o seu clube representado num blog por uma "bicha " ou algo parecido, fica com certeza desagradado e triste, pelo menos se transportar nos seus neurónios memórias como estas, e na grande maioria todos temos.
    Bem haja aos meus amigos ( considero-os do peito ) Poças e tião por serem portadores destas memórias e as partilharem connosco.

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  8. Caro Krommu e Amigo Tó Zé:
    Este relembrar de um dos melhores jogos de futebol a que eu pessoalmente, assisti (e só não foi o melhor porque não ganhámos!) faz-me pensar e concordar com tudo o que dizes e ao olhar para esta caricatura vou repetir o que muita vez conversei com o meu saudoso e querido Amigo Ernesto: reparem que desta equipa só quatro pessoas não se formaram (aliás não sei se o Serafim, apesar de ter entrado no Instituto Industrial acabou, mas também não jogou essa final), e portanto o nivel intelectual era grande e todos pensavem no futuro pós-futebol.
    Claro que juntar, ao mesmo tempo, uma pleíade deste tipo de pessoas não é fácil. E olhando para eles vemos que alguns fizeram contratos com os clubes grandes e mesmo assim acabaram os seus cursos.
    Como se explica isto? Não sei mas o "amor" clubístico" não existe e temos hoje exemplos disso mesmo na nossa Briosa. Querem contratos sabendo, por vezes, que não lhes vão pagar.
    E depois é deprimente ouvir nas assinaturas de contratos "palavras lindas" e os tais três meses depois o contrário! Onde estão os valores!? Só nos cheques que por vezes nem cobertura têm!
    Os jogadores não sentem mas os dirigentes e as pessoas da Académica também não fazem para que os mais novos comecem a sentir a Briosa. A competitividade começa na escola e logo aí se começa a ganhar. Por isso as crianças são de quem ganha e não se faz sentir o espírito que sempre norteou a Académica: irreverência, diferença e F-R-A!
    Obrigado Tó Zé por nos teres avivado tal jornada.
    Um grande abraço Krommático
    Vladimiro

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  9. Aos domingos, na RTP1, vejo o "Conta-me como foi". Não porque não saiba como foi, mas porque faço questão de mostrar aos meus filhos como era o tempo da minha infância.
    Recordo bem aquele tempo em que também ia ver a Briosa pela tua mão ou pela mão de quem já te levara antes. É na simplicidade desse tempo que fomos crescendo e nos tornámos no que somos hoje. É na memória desses tempos que procuro em casa e na escola transmitir os valores não só da família, como os da lealdade, da humildade, do reconhecimento, da perseverança, da disciplina, da solidariedade, da dedicação, da determinação, da ambição desejável... de que o desporto, nomeadamente o futebol, poderia e deveria ser baluarte.
    Mas hoje, outros "valores mais altos se alevantam" e o poder, a fama e o dinheiro são como poeira atirada aos olhos, que impede os nossos jogadores de ver e de valorizar o que é realmente importante. E o pior é que a sua vida é tida como exemplo para muitos jovens, que também eles deixam de olhar a meios para atingir fins: poder, fama, dinheiro...
    O amor à camisola é história do passado: quem sabe argumento para um episódio do Conta-me como foi!
    Bem hajas, querido Krommu, por me teres recordado tudo isto.
    Bem hajas, querido tio, por me teres ajudado a crescer.

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  10. Krommáticos:
    Para dar mais uma achega ao artigo do Tó Zé, só queria relembrar a equipa da final: Maló, Celestino, Rui Rodrigues, Vieira Nunes e Marques:Toni e Rocha: Crispim, Ernesto, Artur Jorge e Vitor Campos. Hoje os jogadores jogam dois jogos durante uma semana e já se queixam: estes jogaram a Final no final(passe o pleonasmo) duma época (em que lutaram pelo título quase até ao fim) 114m e não se queixaram.
    Com os meios que existem hoje, o que seria esta equipa com a qualidade de futebol que praticava?
    Penso que um caso sério.
    Um abraço Krommático
    Vladimiro

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  11. Após ler tantos comentários todos eles com conteudo válido só me apraz referir que a EPOPEIA dos DESCOBRIMENTOS só teve lugar porque existiu quem cortou com as rotas do passado e foi á busca de novas rotas .novas terras. novas gentes .novas riquezas enfim NOVO MUNDO!!
    A Académica tem um passado grandioso mas será sem duvida a sua capacidade de adaptação ao novo MUNDO que poderá fazer dela uma nau COM CONDIÇÕES DE NAVEGAR nas rotas do PRESENTE !!
    Proponho aos KROMMUS que interpretem o papel dos marinheiros dessa nau em detrimento do papel do VELHO DO RESTELO pois esse devia ser do BELENENSES !!!

    POR UMA ACADEMICA MAIOR NÃO VAI NADA ??
    TUDO !!
    F.R.A.

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